Cinema e Sociedade: According to Greta

No fim de semana passado (tarde se sábado) estava sozinha em casa e resolvi deitar no sofá para dormir um pouco; mas não antes de ligar a televisão e ver o que estava passando no Tele Cine. Eis que me deparei com uma cena de uma menina, saindo de casa com um vestido de tule verde. Não sei porque isso prendeu minha atenção, mas acabei mudando de planos e em vez de fechar os olhos continuei acordada, assistindo.

O filme em questão tem o título “According to Greta”, em português somente “Greta”. Não sei se sou eu que estava off do assunto, ou se o filme não foi amplamente divulgado, mas ele é de 2009 e eu nunca tinha ouvido falar a respeito.

Não assisti desde o começo, mas pude entender bem o enredo, a ponto de não ficar perdida; consegui acompanhar o filme até o fim. Ele trata da história de Greta, uma menina fora dos padrões “normais”. Ela é autêntica, impulsiva, tem gênio forte, e planos suicidas. Greta está sempre acompanhada de um caderno, onde lista algumas coisas, como “O que fazer antes de morrer” e “Para morrer” (algo como formas de morrer, ou se matar). Sua personalidade não é aceita pela mãe, e no verão Greta viaja para a casa dos avós para passar as férias, enquanto sua mãe tenta salvar o casamento com o padastro de Greta.

Várias coisas acontecem nesse verão. Greta aprende algumas lições, e ensina outras. Vive experiências inéditas e se apaixona. Tudo isso acontece de maneira muito legal e autêntica, e o filme flui de forma gostosa. Mesmo tendo um ar pesado, meio pessimista, ele não me atingiu de forma negativa. Achei o enredo bem inusitado. E acho que isso foi o que mais me atraiu no filme.

Gostei também da Hilary como menina rebelde e “problemática”. Tão diferente dos costumeiros personagens certinhos que ela faz (demorei uns 10 minutos para ter certeza de que era ela quem interpretava Greta). Os personagens que giram em torno dela também conquistaram minha simpatia. Os avós com um enorme amor à vida. Julie – o pseudo-namorado – com uma paz interior radiante, além de ser fofinho!

Para mim Greta foi um daqueles filmes que quando acabou eu só conseguia lamentar por não tê-lo assistido antes. Gostei muito!

Mas, além de toda a parte cinematográfica, o filme mostra aquilo que estamos cansados de ver na sociedade em que vivemos; o diferente nunca é aceito! Numa cena do filme Greta conta ao seu avô que não toma o remédio que seu médico prescreveu, um remédio que segundo ela serve para transforma-la numa pessoa normal, como que para anular a sua personalidade. Me sinto triste ao pensar que para se encaixarem ou serem aceitas – até mesmo pelos mais próximos – muitas pessoas tem que anular seu verdadeiro ser.

Não gosto disso e sempre vou achar que nada, além de você mesmo, deve mudar quem você é. Precisamos todos (e eu me incluo) aprender a lidar com as pessoas diferentes, com aqueles mais “difíceis”. O respeito pelo diferente deve ser ensinado e aprendido.

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